A sede do Comité Olímpico da Guiné-Bissau, em Bissau, acolheu esta segunda-feira a conferência de Imprensa de apresentação da ação da Rede Lusófona de Mentoria Paralímpica na capital guineense.
A iniciativa é promovida pelo Comité Paralímpico de Portugal (CPP) em estreita parceria com o Comité Paralímpico da Guiné-Bissau (CPGB), ao abrigo do programa Sport for Mobility – Mentoring Hubs do Comité Paralímpico Internacional (IPC), contando ainda com o Alto Patrocínio do Governo da República da Guiné-Bissau através do Ministério da Juventude, Cultura e Desportos.
Na abertura da conferência de Imprensa, o presidente do Comité Paralímpico da Guiné-Bissau, Júlio Mamadú Camará, destacou a relevância estratégica da capacitação para o ecossistema desportivo nacional.
«É um grande orgulho receber esta iniciativa e demonstra que estamos no bom caminho. Significa que estamos a apostar nos recursos humanos, dando formação para capacitar pessoas que possam sustentar a nossa participação futura nos Jogos Paralímpicos e noutros compromissos internacionais do país», afirmou o dirigente, dirigindo ainda um apelo à sociedade: «Apostem no desporto para pessoas com deficiência, deem oportunidade para que possam praticar desporto. Temos muitos compromissos em carteira, mas precisamos de atletas para poder desenvolver as modalidades.»
O Presidente do Comité Olímpico da Guiné-Bissau, Fernando Arlete, enquanto anfitrião da sessão, garantiu total solidariedade institucional. «A consolidação da Rede Lusófona de Mentoria Paralímpica demonstra o poder de união do desporto, uma ferramenta capaz de quebrar barreiras, promover a verdadeira inclusão social e potenciar o talento dos nossos atletas. O Comité Olímpico da Guiné-Bissau caminha e continuará a caminhar lado a lado com o Comité Paralímpico», assegurou.
O vice-presidente do CPP, Tiago Carvalho, agradeceu a hospitalidade da estrutura guineense e sublinhou o espírito de partilha multilateral. «Este foi um desafio que aceitámos desde a primeira hora. Faz parte do nosso compromisso não só reter a informação que fomos desenvolvendo ao longo do tempo, mas também partilhá-la com os nossos países irmãos», declarou. Tiago Carvalho reforçou ainda o valor da convergência técnica: «O Movimento Paralímpico cresce quando todos crescemos e quando todos temos oportunidade de partilhar conhecimento. A competição só se torna interessante quando os países estão equiparados e conseguem competir a um nível semelhante.»
Aprofundando a dimensão pedagógica e estrutural do programa, o Coordenador da Rede Lusófona de Mentoria Paralímpica, Jorge de Carvalho, realçou o princípio de reciprocidade entre os parceiros. «A Rede é lusófona porque a questão da língua é fundamental no processo da produção do conhecimento, e é mentoria porque o conceito não é Portugal vir cá e dar a formação e não receber nada. Portugal vem aprender; a Guiné vai ajudar também a formar em Cabo Verde, em Moçambique e nos outros países», frisou, apontando o ciclo de Los Angeles 2028 como meta de consolidação.
A etapa da Rede de Mentoria Paralímpica em Bissau decorre até 30 de outubro no Estádio Nacional 24 de Setembro, integrando a Cerimónia Oficial de Abertura e Seminário Internacional esta terça-feita, sessões teórico-práticas de atletismo, boccia, powerlifting, elegibilidade e classificação desportiva, culminando na sexta-feira com um evento desportivo aberto à comunidade.
