A Rede Lusófona de Mentoria Paralímpica cumpriu esta quinta-feira mais uma etapa de trabalho no Estádio Nacional 24 de Setembro, em Bissau, reforçando o programa intensivo de capacitação técnica, metodológica e organizacional destinado a atletas, treinadores, dirigentes e demais agentes desportivos guineenses.
A jornada formativa começou bem cedo na pista do estádio com exercícios específicos de aquecimento geral e dinâmico, progredindo para módulos práticos de Atletismo. As sessões incidiram sobre as especificidades técnicas da corrida em cadeira de rodas e o trabalho de corrida para atletas cegos, área onde foi colocado especial ênfase na relação de confiança, comunicação verbal e coordenação motora entre o atleta e o guia.
No plano do Powerlifting, os formandos tiveram praticas técnicas de execução do supino e as regras fundamentais que regem a modalidade. Durante o período da tarde, Ricardo Monteiro conduziu uma sessão teórica aprofundada na sala de formação, articulando os princípios biomecânicos e de planeamento de treino com os exercícios práticos realizados durante a manhã.
Visita diplomática assinala 1000 dias de mandato
O dia ficou igualmente marcado pela visita institucional do Embaixador de Portugal na Guiné-Bissau, Miguel Silvestre, que se deslocou ao Estádio Nacional 24 de Setembro para conhecer de perto a dinâmica dos trabalhos e interagir com os formadores portugueses e os participantes guineenses. A visita coincidiu com uma data de particular simbolismo pessoal e diplomático: o cumprimento exato de 1000 dias desde o início da sua missão oficial no país.
Em declarações ao CPP, Miguel Silvestre sublinhou a pertinência da cooperação lusófona no setor desportivo: «O desporto é uma linguagem universal e o português é, de facto, a linguagem que une os países de língua oficial portuguesa, incluindo Portugal e a Guiné-Bissau. É da maior relevância que, no quadro da lusofonia, possamos trocar e partilhar experiências, ajudar a criar redes ainda mais estreitas de colaboração e acompanhar o desenvolvimento de novos atletas paralímpicos para que possam alcançar o estrelato dentro das suas disciplinas de eleição.»
O diplomata português expressou ainda total sintonia com a continuidade da Rede: «Faz todo o sentido estarem aqui na Guiné-Bissau, depois de terem estado pela primeira vez em Moçambique, e darem continuidade a este trabalho, não descurando o caminho já trilhado mas alargando a presença noutros países da lusofonia, trabalhando em conjunto para que esta rede de mentoria frutifique e se consolide.»

O desporto como motor de inclusão e desenvolvimento
Abordando o impacto social da iniciativa no contexto guineense, o chefe da missão diplomática portuguesa destacou o potencial transformador da prática desportiva para pessoas com deficiência: «O desporto é um fator integrador, unificador e, sobretudo, um fator de desenvolvimento humano da maior importância. É um fator de inclusão social, de desenvolvimento económico e de autoestima para aquelas pessoas que porventura se sentem mais fora da sociedade porque acham que a deficiência pode ser um obstáculo. A deficiência não deve nem pode ser um obstáculo a qualquer nível. Físico, intelectual ou desportivo. A participação das pessoas com deficiência no desporto em igualdade de circunstâncias é absolutamente fundamental.»
Dirigindo-se diretamente aos formandos e à equipa técnica, Miguel Silvestre sintetizou a sua mensagem em três conceitos fundamentais: «A mensagem que deixo resume-se em três palavras: respeito, pela perseverança, compromisso e empenho demonstrados; estímulo, porque este é o caminho que devem continuar a singrar no desenvolvimento das suas capacidades desportivas; e esperança, de os ver com medalhas a subirem ao pódio dos mais altos campeonatos mundiais, olhando já para os Jogos de Los Angeles 2028, onde seria extremamente gratificante ver os atletas da Guiné-Bissau e de Portugal a receberem medalhas.»
Rumo ao evento desportivo de encerramento
Promovida pelo Comité Paralímpico de Portugal (CPP) em parceria estratégica com o Comité Paralímpico da Guiné-Bissau (CPGB), sob a égide do programa Sport for Mobility – Mentoring Hubs do Comité Paralímpico Internacional (IPC), a Rede Lusófona de Mentoria Paralímpica, que em Bissau conta também com o apoio do Comité Paralímpico da Guiné-Bissau e o Alto Patrocínio do Governo através do Ministério da Cultura, Juventude e Desportos e da Direção-Geral dos Desportos, visa criar estruturas sustentáveis de desenvolvimento desportivo e capacitação técnica no espaço da CPLP.
A comitiva técnica do CPP em Bissau conclui esta sexta-feira a ação presencial com a realização de um evento Desportivo de Demonstração, Competição e Captação no Estádio Nacional 24 de Setembro, aberto à comunidade, escolas e associações de pessoas com deficiência, seguido da Cerimónia Oficial de Encerramento.
