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Fórum Inclusão e Futuro mobiliza federações e associações para a captação de novos atletas

Fórum Inclusão e Futuro mobiliza federações e associações para a captação de novos atletas

O Comité Paralímpico de Portugal (CPP) organizou esta quinta-feira, na Associação dos Deficientes das Forças Armadas, o Fórum Inclusão e Futuro, uma reunião de trabalho com as federações e associações desportivas que são membros do Comité. O objetivo foi apresentar, discutir e refletir sobre as medidas de apoio ao desporto paralímpico e surdolímpico em vigor, nomeadamente as inscritas no Contrato-Programa de Desenvolvimento Desportivo n.º CP/893/2024.

Mais do que apresentar instrumentos de financiamento, o encontro procurou promover a partilha de experiências e reforçar o envolvimento das federações e, por consequência, dos clubes na captação de novos praticantes e no desenvolvimento de projetos desportivos para pessoas com deficiência.

Uma oportunidade única que exige o envolvimento de todos

Carlos Lopes, secretário-geral do CPP, sublinhou o carácter prático do encontro: “Esta foi, ao fim e ao cabo, uma reunião de trabalho, na qual nós quisemos partilhar com as federações e com as associações desportivas as medidas que estão atualmente em vigor no âmbito de apoio ao desporto paralímpico e ao desporto surdolímpico, no sentido de as envolver.”

Segundo Carlos Lopes, existe a “clara consciência de que o sucesso destes apoios só será possível se trabalhado em parceria e em forte proximidade”. Por isso, o balanço do Fórum é positivo, mesmo reconhecendo que a participação poderia ter sido maior. “Ainda assim, dos comentários e das conclusões que pudemos extrair, acho que é unânime a importância destas reuniões de trabalho, no sentido de sensibilizar as federações para que tenham um papel mais ativo. Por mais instrumentos de trabalho ou ferramentas de financiamento que possamos ter, se não existir o envolvimento dos clubes, das associações, das federações, estas medidas não terão o impacto desejado. E o que todos pretendemos é ter mais e melhor desporto paralímpico em Portugal. Esse é o nosso objetivo”, defendeu.

Carlos Lopes destacou ainda a amplitude da oportunidade criada pelos atuais instrumentos de financiamento: “Temos uma oportunidade que eu diria única, não só de apoiar atletas para os quais seja identificado um especial talento e uma forte motivação para iniciar uma carreira desportiva, como podemos apoiar clubes, quer ao nível da requalificação das suas infraestruturas e do apetrechamento, quer ainda no desenvolvimento de projetos de inclusão através do desporto. Essa foi a mensagem que nós procurámos deixar, uma mensagem de trabalho em articulação, de partilha, de divulgação e de empenho.”

O exemplo do atletismo

Um dos exemplos apresentados no Fórum foi o projeto “Começar pelo Início!”, desenvolvido pela Federação Portuguesa de Atletismo para aumentar a base de praticantes através da aproximação às escolas, aos centros de reabilitação e às instituições.

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Sara Moreira, vice-presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, sublinhou o impacto do projeto: “De que forma é que poderíamos aumentar o número de praticantes? Foi chegar às escolas, chegar aos centros de reabilitação, chegar às instituições”, explicou.

Para Sara Moreira, partilhar esta experiência é fundamental: “Poder partilhar isto, neste fórum, é muito importante para a Federação, porque, no fundo, estamos todos a contribuir para um aumento, que é o que pretendemos, do número de atletas que possam praticar desporto paralímpico ou surdolímpico. Ficaria muito feliz se, num próximo Fórum, soubesse que outras federações agarraram neste exemplo.”

E deixou uma mensagem direta às restantes federações: “Acima de tudo, que tenham coragem, que tenham muita vontade, que saiam dos gabinetes para irem ao encontro destes jovens, destas crianças que têm deficiência, para que possam começar a praticar uma modalidade. Da mesma forma que o atletismo o fez, que possam fazê-lo com as suas modalidades. Esse é o meu desejo e espero que assim seja.”

Campismo e Montanhismo quer seguir o exemplo

O apelo encontrou eco imediato. Paulo Sousa, presidente da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, destacou que o Fórum ofereceu “informação bastante importante” para um projeto de captação que a federação quer lançar.

“Nós queremos avançar para esta área, que não temos desenvolvido até aqui. Foi um dos meus compromissos também para este novo mandato”, afirmou.

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“Levo bastante informação daqui, que irei naturalmente transmitir também aos clubes, aos nossos filiados, e irei essencialmente estudar muito bem aquilo que ouvi hoje aqui sobre o plano da Federação Portuguesa de Atletismo na captação de novos talentos, de novos atletas. Vamos começar por aí. Ficou-me vincado no pensamento avançarmos com um projeto similar a esse para a captação de atletas”, acrescentou Paulo Sousa.

Mais apoios, mas com desafios estruturais

José Marracho, presidente da Federação Portuguesa de Tiro, destacou o muito trabalho que tem sido desenvolvido e realçou o crescimento dos apoios, deixando, no entanto, um alerta para os constrangimentos que limitam a absorção destes fundos.

“Nós não temos muita capacidade para nos deslocarmos aos clubes e fazermos o trabalho deles. Mas eles também não têm. É um problema estrutural do país. Quando os clubes não se candidatam, é porque não têm infraestruturas e não podem candidatar-se, ou porque não têm atletas. Ficam limitados. E, às vezes, porque não têm capacidade ou não querem disponibilizar o seu tempo, que já é pouco, para fazer as candidaturas, que demoram sempre algum tempo”, notou.

Sobre possíveis soluções, o presidente da Federação de Tiro apontou o trabalho em rede como caminho: “O que pode fazer-se é continuar a tentar motivá-los e tentar ajudar. Trata-se de um trabalho de equipa.”

Captar jovens e ultrapassar estigmas

José Marracho aproveitou também para abordar a dificuldade transversal de atrair jovens para a prática desportiva, incluindo no tiro.

“Nós temos esta dificuldade, que é transversal a todas as modalidades. Os meus pares, os presidentes das federações com quem converso muito, também estão com esse problema: não há jovens a entrar nas modalidades, não há jovens a praticar. No nosso caso, os jovens não vêm para a nossa prática, para o tiro desportivo. Quando falamos em armas, há um certo estigma na sociedade, mas que tem de ser ultrapassado. A nossa disciplina de tiro, ao contrário do que muita gente possa pensar, não é só disparar. Qualquer atleta tem de se preparar fisicamente e depois trabalhar todas as outras vertentes, como a nutrição, a regularidade do sono, a preparação psicológica e emocional e a capacidade mental. Depois é que vem a técnica, que é exatamente aquilo que se executa e que se vê no resultado final. Mas é um todo. É desporto”, sublinhou José Marracho.

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Apesar das dificuldades, há resultados que motivam a continuar. “Tivemos agora a Margarida Lapa, que conquistou a primeira quota paralímpica de Portugal para Los Angeles 2028. Portanto, temos alguns resultados, mas é muito pouco. Temos pouquíssimos atletas. Vamos continuar a trabalhar e a conversar com os clubes, a motivarmo-nos uns aos outros e a tentar que eles se candidatem a estes apoios”, referiu.

Apelo a uma convergência de vontades

José Manuel Lourenço, presidente do CPP, classificou o Fórum como “uma reunião de trabalho importante e proveitosa” e fez igualmente um balanço positivo: “O objetivo desta reunião era informar e sensibilizar as federações para o trabalho que estamos a fazer e o trabalho que queremos fazer, para apelar a um maior envolvimento de todas as federações.”

Para o presidente do CPP, “esse empenho conjunto é fundamental para que possa haver desenvolvimento, quer no desporto para pessoas com deficiência, quer no desporto paralímpico e surdolímpico”. E foi perentório: “Não basta que o Comité Paralímpico tenha um objetivo, tem de haver aqui uma convergência de vontades e de todos pensarmos que estamos a trabalhar em prol de um desporto mais inclusivo, em prol de alargar a base de recrutamento e, através dela, termos mais atletas no alto rendimento.”

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Aos membros do Comité deixou um apelo direto: “Que se envolvam mais na vida do Comité, que participem mais, que nos façam mais perguntas, que tentem alargar a base de recrutamento da possibilidade de jovens com deficiência praticarem desporto.”

E rematou com uma ideia que quer ver assumida por todo o Movimento: “Que não vejam o desporto como um ato de responsabilidade social, que vejam o desporto como desporto. Não deve existir a ideia de que o desporto para pessoas com deficiência é um ato de responsabilidade social, enquanto as outras dimensões desportivas são momentos de desporto. Para nós são tudo momentos de desporto. A única coisa que nós também aqui acrescentamos é que, através do desporto, pode haver uma maior inclusão social.”

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