Asset Publisher

Governo reconhece atletas medalhados em gala histórica

21 May 2026

Governo reconhece atletas medalhados em gala histórica

Share
Tweet


O Velódromo Nacional de Sangalhos, em Anadia, foi esta quarta-feira palco de uma noite de memória, justiça e reconhecimento. A Gala ‘Em nome de Portugal: Muito para além do pódio’, promovida pelo Governo, homenageou mais de meia centena de atletas Paralímpicos, Surdolímpicos e Olímpicos medalhados que, ao longo de décadas, elevaram o nome de Portugal no mundo e que ainda não tinham recebido reconhecimento institucional do Governo português.

Perante atletas, famílias, amigos, dirigentes e representantes do movimento desportivo, o Governo e as principais instituições do desporto português sublinharam a importância de reconhecer não apenas resultados, mas também o exemplo, a inspiração e os valores de igualdade, inclusão, excelência e união que o desporto transmite à sociedade.

“O País deve inspirar-se no Desporto”

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, destacou o papel transformador do desporto na sociedade portuguesa, sublinhando que “o País deve inspirar-se no desporto”.

“O desporto é um elemento fundamental na formação dos cidadãos. É um elemento fundamental da coesão social. É um elemento democrático. O desporto é um elemento formativo também por isso, por ser uma escola de valores, uma escola de princípios e por ser um terreno onde à partida somos todos iguais, onde à partida cada um tem as suas características e aquilo que tem a fazer é explorá-las, trabalhá-las e potenciá-las aos limites máximos possíveis. Por isso eu tenho dito muitas vezes que o país se deve inspirar no desporto, se deve inspirar nos nossos atletas, nestes atletas e deve multiplicar em todos os setores de atividade este espírito. O espírito do trabalho, o espírito da entreajuda, o espírito de levar mais longe e bater o recorde, o nosso próprio recorde, o recorde do nosso País, o recorde da nossa Europa, o recorde do nosso mundo», exortou, sublinhando a capacidade transversal que o Desporto tem de unir:

“Nós temos tudo para poder multiplicar noutras áreas aquilo que fazemos no desporto, mas há uma coisa que também é verdade. Talvez mais nenhuma área seja tão forte e tão profunda a aproximar e a juntar o povo português. Se há campo onde nós estamos sempre todos do mesmo lado, todos juntos, todos a puxar pelo mesmo, é o campo do desporto, é o campo da defesa das cores da bandeira de Portugal. Esta cultura é uma cultura, o desporto é cultura. O desporto também é explorar a capacidade criativa, a capacidade de superação. E já agora também, o desporto e a cultura andam de mãos dadas, de braços bem apertados, como aqui se viu neste palco ainda há pouco, com a música, com a dança, com o exercício físico e a criação.»

Orgulhoso e emocionado, o chefe do Executivo, sublinhando que “este governo tem confessadamente uma paixão pelo desporto, mas, mais do que isso, tem uma responsabilidade com o País, uma responsabilidade com a saúde física e mental”, fez notar que a maior homenagem que coletivamente pode ser feita é “continuar a vibrar”. “E o maior orgulho e gratidão que lhes podemos mostrar é dizer-lhes que não se esqueçam, sempre que entrarem em campo, sempre que entrarem na pista, nós estamos lá, com a camisola, estamos lá com o cachecol, mas sobretudo estamos convosco no coração”, disse Luís Montenegro.

Anadia como ecossistema de excelência

Também o presidente da Câmara Municipal de Anadia, Jorge Sampaio, sublinhou a importância de acolher uma cerimónia desta dimensão “no coração do Centro de Alto Rendimento de Anadia”, lembrando o investimento contínuo do município no desporto e na criação de condições para o desenvolvimento da excelência desportiva.

“Mais do que o reconhecimento do Governo, este é um ato de gratidão de um povo”, afirmou, dirigindo-se aos atletas homenageados: “O município de Anadia associa-se a este momento tão importante, dizendo-vos muito obrigado. Obrigado por nos representarem, obrigado por nos levarem pelo mundo fora, obrigado por nos honrarem com o vosso esforço e dedicação. Obrigado por serem Portugal.”

“Um momento histórico”

O presidente do Comité Olímpico de Portugal, Fernando Gomes, classificou a gala como “um momento histórico para o desporto português”, sublinhando que o País “presta justiça a quem, com mérito e sacrifício, triunfou em nome de Portugal”.

Fernando Gomes, elogiando o Governo pelo que tem feito, disse ser esta uma “cerimónia marcante, não apenas pelo simbolismo, mas por aquilo que afirma sobre o desporto que queremos construir juntos”. “Um desporto que reconhece os seus campeões, um desporto que não esquece os seus trajetos, um desporto que honra a excelência olímpica, paralímpica e surdolímpica”, juntou.

O presidente do COP destacou ainda a necessidade de continuar a evoluir no reconhecimento do mérito desportivo, defendendo um modelo capaz de acompanhar “a realidade do desporto nacional e a grandeza das conquistas alcançadas pelos atletas portugueses”.

“A todos os atletas, os que aqui distinguimos e a todos os outros que também deram tudo por Portugal, que quero deixar uma palavra de agradecimento profundo. Muito obrigado por levarem o nome do nosso país mais longe. Muito obrigado por se sacrificarem por Portugal. Muito obrigado por nunca desistirem”, afirmou.

“Injustiça corrigida”

O presidente do Comité Paralímpico de Portugal, José Manuel Lourenço, afirmando-se “privilegiado” por, no cargo que ocupa, “poder testemunhar a evolução que o desporto paralímpico e surdolímpico tem tido nos últimos anos ao nível de resultados e de condições”, considerou que a cerimónia veio “corrigir uma injustiça” de muitos anos.

“Há aqui muitas dezenas de atletas paralímpicos e surdolímpicos que hoje veem reconhecido aquilo que foi o seu percurso. Este é um momento inesquecível, porque de alguma forma esbate o sentimento que, com certeza, muitos deles tinham relativamente ao facto de o Governo da República nunca lhes ter concedido qualquer tipo de reconhecimento público”, observou José Manuel Lourenço, reforçando o compromisso do Comité Paralímpico de Portugal com o desenvolvimento do Plano Nacional de Desenvolvimento Desportivo e com a construção de um futuro mais inclusivo e ambicioso para o desporto nacional.

“Este é um evento para celebrar pessoas, é importante que estejamos aqui para celebrar o presente, para reconhecer o passado e preparar os próximos Jogos. O Comité Paralímpico é um parceiro empenhado na execução do Plano Nacional de Desenvolvimento Desportivo. Sempre ouvi falar da necessidade de um instrumento destes, mas agora, de facto, temos um plano e o que posso prometer é toda a nossa dedicação e todo o nosso trabalho para que este Plano tenha sucesso”, disse o presidente do CPP.

Mais do que medalhas, trajetos de vida

A cerimónia, entre outras personalidades do espectro político e desportivo nacional, contou com a presença da Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, do Secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, da Secretária de Estado da Ação Social e Inclusão, Clara Marques Mendes, dos presidentes do IPDJ, Ricardo Gonçalves, e do Instituto para os Direitos das Pessoas com Deficiência, Sónia Esperto.

O Comité Paralímpico de Portugal fez-se representar, além do seu presidente, pelos vice-presidentes José Pavoeiro, Leila Marques, Filipa Godinho, pelo tesoureiro Ricardo Marques e pelo relator do Conselho Fiscal, Filipe Rebelo. Carlos Lopes, secretário-geral, foi um dos atletas condecorados.

Mais do que celebrar medalhas, Sangalhos celebrou trajetos de vida. Celebrou atletas que continuam a inspirar gerações com o exemplo de quem nunca deixou de representar Portugal com orgulho.

Conheça os homenageados

Medalhados Ouro

André Soares (Ciclismo), António Marques (Atletismo, Boccia), Armando Costa (Boccia), Carlos Amaral Ferreira (Atletismo), Carlos Lopes (Atletismo), Fernando Ferreira (Boccia), Gabriel Potra (Atletismo), Hugo Passos (Luta Greco-Romana), Joana Santos (Judo), João Alves (Atletismo, Boccia), João Fernandes (Boccia), José Gameiro (Atletismo), José Carlos Macedo (Boccia), José Rodolfo Alves (Atletismo), Margarida Silva (Atletismo), Maria Melo (Boccia), Nélson Évora (*Atletismo), Olga Pinto (Atletismo), Ana Paula Fonseca (Atletismo, Boccia) e Paulo Coelho (Atletismo).

Medalhados Prata

António Silva (Atletismo, Ciclismo), Armando Marques* (Tiro com Armas de Caça), Bruno Valentim (Boccia), Cândido Machado Leite (Ciclismo, Futebol 7), Duarte Bello* (Vela), Fernando Bello* (Vela), Fernando Pereira (Boccia), Fernando Pimenta* (Canoagem), Hélder Bruno (Futebol 7), José Gentil Quina* (Vela), Luís Gonçalves (Atletismo), Luís Silva (Boccia), Maria Albertina Cabral (Atletismo), Mário Gentil Quina* (Vela), Patrícia Mamona* (Atletismo) e Rui Oliveira (Atletismo, Futebol 7) e Susana Barroso (Natação).

Medalhados Bronze

Abílio Valente (Boccia), António Leitão* (Atletismo), Domingos Coutinho* (Equestre), Eunice Raimundo (Boccia), Fernando da Silva Paes* (Equestre), Filipe Marques (Triatlo), Francisco Rebelo de Andrade* (Vela), Hélder de Sousa Martins* (Equestre), Hélder Gomes (Taekwondo), Henrique Silveira* (Esgrima), Joaquim Fiúza* (Vela), João Camilo Costa (Atletismo), Jorge Fonseca* (Judo), José Gouveia Beltrão* (Equestre), Lenine Cunha (Atletismo), Luís Belchior (Boccia), Luís Cardoso de Menezes* (Equestre), Manuel Mendes (Atletismo), Mário Peixoto (Boccia) e Norberto Mourão (Canoagem).

*Atletas Olímpicos



Back