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Diogo Carmona partiu para os Jogos Paralímpicos de Inverno
3 Março 2026Portugal vive um momento histórico no desporto paralímpico, fruto da participação de Diogo Carmona nos Jogos Paralímpicos de Inverno Milano-Cortina 2026.
O atleta, que no dia 14 de março vai competir na prova de banked slalom de snowboard, categoria SB-LL2, partiu esta segunda-feira para Itália, onde irá, então, tornar-se o primeiro atleta português a participar numa edição dos Jogos Paralímpicos de Inverno. Antes da partida para Itália, o snowboarder assumiu a responsabilidade e o orgulho que este momento representa.
“Estou bastante feliz. É uma responsabilidade grande representar Portugal, tendo em conta também o nosso historial, o de outros atletas paralímpicos e de outras modalidades. Vou dar o meu melhor. Estou a sentir-me bastante feliz neste momento e motivado”, afirmou Diogo Carmona, sublinhando o significado de vestir as cores nacionais nesta estreia absoluta.
A preparação para esta participação incluiu um estágio recente na Suíça, que o atleta considera ter sido determinante para chegar pronto à competição:
“Correu bem, foi uma preparação muito boa para este momento. Acho que estou pronto!”

Consciente do apoio que reúne em Portugal, Diogo fez questão de deixar uma mensagem a todos os que o acompanham:
“Agradecer a todas as pessoas que me apoiam, às pessoas que acreditam em mim. Vou dar o meu melhor, espero deixar as pessoas contentes.”
Um treinador orgulhoso
Ao lado de Diogo está o treinador Nuno Marques. Mancha, como é conhecido, destacou a dimensão simbólica e o trabalho de bastidores que sustentam esta presença inédita de um atleta português numa edição dos Jogos Paralímpicos de Inverno.
“Conseguimos! É a concretização de um sonho com vários anos, o concluir de muito esforço e um orgulho especial no Diogo. Foi uma pessoa que eu reconheci como um potencial candidato, abordei-o sem ele nunca ter experimentado snowboard e três anos depois aqui estamos. É, para mim, obviamente, um orgulho grande. Estou quase a chorar!”, partilhou Mancha, recordando, ainda, o percurso acelerado de Diogo Carmona na modalidade e o desafio que representa competir entre a elite internacional.

“Comecei a trabalhar com o Diogo em novembro de 2022, o número de dias que ele tem de treino na neve equivale a menos de metade do que um atleta tem num ano. Alguns, que já faziam snowboard antes, treinam mais de 200 dias por ano na neve e chegaram aos Jogos. Nós, com tão poucos dias, com poucas oportunidades de ir à montanha e à neve e treinar, acabámos por conseguir chegar lá também. O Diogo tem uma capacidade natural muito boa, que lhe identifiquei e comprovei. Ele está de parabéns. Aliás, acho que estamos todos de parabéns. Acho que como equipa funcionamos bem. E conseguimos”, sublinhou Mancha, grato ao “Comité Paralímpico de Portugal e à Federação de Desportos de Inverno de Portugal por terem acreditado na equipa e no projeto”.
Sobre os objetivos desportivos e o legado que esta participação poderá deixar, Mancha foi claro:
“Agora é fazer o melhor, temos que ter consciência que vamos competir com os melhores atletas do mundo. Que esta primeira participação de Portugal nos Jogos Paralímpicos permita que na próxima estejam presentes mais atletas de snowboard e de outras modalidades de inverno.”
Na análise ao perfil do atleta, Mancha destacou as qualidades que o trouxeram até este patamar competitivo:
“Ele tem uma capacidade muito boa de aprender o que lhe dizem. É uma pessoa que, depois de executar, reflete sobre o que fez, se fez bem ou mal e como melhorar. Tecnicamente ele é muito bom, tem um jeito natural para o snowboard. Ele tem muita força de vontade. Não desiste facilmente, é um bocado como eu, é teimoso.”
Diogo Carmona pode ser inspirador
Do ponto de vista institucional, a presença de Diogo Carmona nos Jogos Paralímpicos de Inverno, como fez questão de afirmar o presidente do Comité Paralímpico de Portugal, representa um marco para o desporto português e para o Movimento Paralímpico nacional.

“É um momento importante, mas vai ser muito mais importante no dia em que ele tiver a competição. Aí sim fica marcada a primeira presença portuguesa em Jogos Paralímpicos de Inverno. Pode ser que com a participação do Diogo possamos chamar mais atletas. Acho que o Diogo merece e é bom para o desporto paralímpico”, observou José Manuel Lourenço.
Com esta estreia nos Jogos Paralímpicos de Inverno, Portugal reforça seu o compromisso com a inclusão, a excelência competitiva e a criação de novas oportunidades para atletas com deficiência.

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