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Projeto Erasmus+ SSVET reúne parceiros europeus em Lisboa para reforçar a formação em desporto para pessoas com deficiência
25 Junho 2026O Comité Paralímpico de Portugal (CPP) acolheu, esta quinta-feira, em Lisboa, uma reunião de trabalho do projeto Special Sport Vocational Education and Training (SSVET), cofinanciado pela União Europeia através do programa Erasmus+, centrado no desenvolvimento de um guia para a formação de treinadores na área do desporto para pessoas com deficiência.
O encontro, realizado nas instalações do Instituto Português do Desporto e Juventude, em Moscavide, traduziu-se num momento de consolidação de conteúdos teóricos e práticos e de partilha de conhecimento sobre a capacitação de técnicos que trabalham com pessoas com deficiência.
«Foi uma reunião bastante produtiva em termos de desenvolvimento de conteúdo. Deste projeto vai resultar um guia para treinadores, que está a ser desenvolvido pela Roménia em parceria com o CPP e com a Alemanha, e que nos permitirá ter uma linha contínua de formação de treinadores na área do desporto para pessoas com deficiência, disseminar conhecimento e convocar mais treinadores a juntarem-se ao desporto para pessoas com deficiência», explicou Inês Perdigão, Técnica Superior de Desporto do CPP.
A psicóloga Mioara Sincan, docente do Centro Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Treinadores, sublinhou o enfoque da reunião na construção do guia de formação.
«O principal objetivo desta reunião foi rever o guia que estamos a planear desenvolver para a formação dos nossos treinadores na Roménia. Vamos poder proporcionar aos nossos treinadores uma nova competência relacionada com o trabalho no desporto adaptado. Esse é o principal objetivo», esclareceu, realçando a importância da partilha de conhecimento:
«Aprendemos muito com o CPP sobre a componente teórica que precisamos de incluir no nosso guia e com a TAFISA aprendemos bastante sobre os aspetos práticos da nossa atividade no desporto adaptado. Ainda temos um longo caminho pela frente, mas estamos a aprender com os melhores.»
Mioara Sincan acredita que o SSVET será «apenas o início de uma longa colaboração entre a Roménia, Portugal e a Alemanha e, porque não, com mais países envolvidos».
Uma visão partilhada por Gaëtan Garcia, diretor de operações da TAFISA, que destacou a necessidade de uma abordagem integrada.
«Acredito que, se quisermos ter sucesso, precisamos de algum tipo de colaboração ou aliança que envolva todos os diferentes níveis: desde a definição de políticas públicas, à criação de estruturas de apoio, até ao envolvimento das várias partes interessadas. Não apenas os treinadores ou as federações desportivas, mas também organizações do setor privado ou organizações sem fins lucrativos que trabalham com pessoas com deficiência. O setor médico e o setor da saúde também precisam de estar envolvidos e penso que necessitamos de uma ação abrangente e coordenada se quisermos realmente ter impacto», afirmou, sublinhando uma oportunidade que não pode ser desperdiçada:
«Temos uma grande oportunidade e não se trata apenas de aumentar os números da participação. Trata-se de reconhecer que existem inúmeros benefícios associados ao desporto e à atividade física, nomeadamente ao nível da inclusão social, da saúde física e mental, da autonomia e da independência. São muitos os benefícios de que ainda estamos a privar muitas pessoas.»

Refletindo sobre as virtudes do SSVET, Gaëtan Garcia acrescentou:
«Estamos a criar orientações para que os treinadores trabalhem com pessoas com deficiência, porque esta é uma grande necessidade, especialmente em alguns países como a Roménia, um dos líderes deste projeto. O objetivo desta reunião foi consolidar todos os dados existentes, todos os recursos disponíveis, e utilizá-los para criar um documento e uma ferramenta que tenham um impacto muito significativo. Do nosso ponto de vista, o importante é ajudar os treinadores a proporcionar mais oportunidades para a prática inclusiva de atividade física. Queremos permitir que mais pessoas com deficiência tenham acesso ao desporto para todos e à atividade física, porque sabemos que existe uma grande diferença e que estas pessoas são, em média, muito menos ativas. E, claro, quando olhamos para o desporto de elite e de alto rendimento, trata-se também de proporcionar a oportunidade de treinar a um nível elevado para atletas de competição. Mas, da minha perspetiva, o mais importante é a participação e o acesso.»

Orador convidado, Fernando Seabra, mestre que tem desempenhado um importante papel no desenvolvimento do judo para pessoas com deficiência, promovendo, através do Clube de Judo Total, a inclusão e a igualdade de oportunidades através do desporto, partilhou com os presentes a sua experiência. «Os treinadores têm de estar aptos para treinar qualquer pessoa que lhes apareça, independentemente da sua condição. Se me aparecer um atleta mais velho, mais novo, cego ou surdo, eu tenho que estar apto para atender às suas necessidades. Nós não sabemos tudo, sabemos muito pouco, e quanto mais nós partilharmos informação, conhecimento, mais isso nos permite crescer em conjunto», referiu.
O projeto Erasmus+ SSVET constitui, pois, uma oportunidade para reforçar redes internacionais, alinhar boas práticas e valorizar o papel dos treinadores na construção de ambientes de treino acessíveis e inclusivos em toda a Europa.

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