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Formação e inclusão marcam primeiro dia da Rede Lusófona de Mentoria Paralímpica em Moçambique
4 Agosto 2026A Rede Lusófona de Mentoria Paralímpica iniciou esta terça-feira, em Maputo, o seu programa de formação com uma sala cheia na sessão de abertura realizada na sede do Comité Olímpico de Moçambique. Depois dos módulos teóricos, a atividade passou para o terreno, no Parque dos Continuadores, onde atletas e técnicos participaram em formação prática de boccia e atletismo.
O primeiro dia da Rede Lusófona de Mentoria Paralímpica em Moçambique ficou marcado pela combinação entre reflexão, capacitação e prática desportiva, dando início a quatro dias de trabalho destinados a reforçar competências de atletas, treinadores e dirigentes e a contribuir para o desenvolvimento do Movimento Paralímpico moçambicano.
Na sessão de abertura, Hélder Jossias, Diretor Nacional do Desporto, em representação do Ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Manasse, classificou a realização da Mentoria como um investimento com impacto para além da própria formação.
“Esta iniciativa constitui muito mais do que uma simples ação de capacitação. É um investimento estratégico no capital humano, na inclusão e na construção de um desporto mais qualificado e acessível a todos os moçambicanos.”
Para o Diretor Nacional do Desporto, o acesso ao conhecimento, às estratégias e às metodologias de treino permitirá às diferentes modalidades paralímpicas reforçarem as suas competências e criarem condições para alcançar melhores resultados.
“Com esta Mentoria multiplicamos os atletas que vão beneficiar destas formações e, por essa via, queremos acreditar que o país alcançará patamares mais elevados”, afirmou Hélder Jossias.
O governante defendeu ainda que iniciativas desta natureza sejam incentivadas e estendidas às várias províncias do território moçambicano: “Quanto maior for o número de moçambicanos capacitados, maior será a nossa capacidade de desenvolver o desporto paralímpico e servir melhor o nosso povo.”

Cooperação lusófona ao serviço de cidades mais inclusivas
Otília Malenda, representante da Presidência do Conselho Municipal de Maputo, destacou a dimensão social da iniciativa, considerando que o encontro representa “um momento de grande significado para a comunidade lusófona”:
“Hoje reafirmamos o nosso compromisso com a promoção da inclusão, da igualdade e da valorização da pessoa com deficiência através do desporto.”
Na sua intervenção, Otília Malenda salientou que a formação de atletas, treinadores e dirigentes representa não apenas um investimento no futuro do Movimento Paralímpico, mas também “na construção de cidades mais justas, solidárias e inclusivas”.
A responsável destacou ainda a “força da cooperação entre países de língua portuguesa, unidos por uma história e uma língua comuns e pelos valores da solidariedade”, manifestando o desejo de que a iniciativa realizada em Maputo possa inspirar novos projetos.
José Manuel Lourenço, presidente do Comité Paralímpico de Portugal chamou a atenção para a responsabilidade de quem exerce funções de liderança:
“A credibilidade do desporto paralímpico também se faz naquilo que os dirigentes podem fazer no sentido do compromisso e da importância da representação institucional.”
O Presidente do CPP defendeu um dirigismo exercido com sentido profissional e de responsabilidade, sustentado numa cooperação “leal e interessada” com organizações desportivas, entidades governamentais, patrocinadores e restantes parceiros.
Para José Manuel Lourenço, essa credibilidade e capacidade de relacionamento constituem um capital que pode gerar benefícios para o Movimento Paralímpico e, de forma mais ampla, para o desporto para Pessoas com Deficiência.
Paulo Sing, Presidente do Comité Paralímpico de Moçambique, apontou a capacitação e a aquisição de conhecimento como condições essenciais para responder aos próximos desafios:
“Estamos aqui para nivelar o nosso conhecimento, para buscar a excelência.”
Reconhecendo que o Movimento Paralímpico em Moçambique tem ainda um caminho significativo a percorrer, Paulo Sing mostrou-se confiante no impacto da formação.
“Temos a expectativa de aprender muito. É uma grande oportunidade para Moçambique e vamos aproveitá-la ao máximo para maximizar o talento dos nossos atletas”, afirmou.
O presidente do Comité Paralímpico de Moçambique destacou ainda a necessidade de levar o desporto para Pessoas com Deficiência a diferentes pontos do país, trabalhar a partir da base e chegar às escolas.
A ambição passa também por criar condições para que os atletas disponham de espaços onde possam treinar regularmente e para que os treinadores adquiram o conhecimento necessário para desenvolver todo o potencial dos praticantes.
Equipamentos para apoiar o treino em Moçambique
A cerimónia de abertura incluiu momentos de reconhecimento institucional, com a entrega de lembranças a Hélder Jossias, Otília Malenda e Paulo Sing.
O Comité Paralímpico de Portugal procedeu também à entrega de equipamentos ao Comité Paralímpico de Moçambique destinados ao treino dos atletas, acrescentando uma componente material à transferência de conhecimento que está no centro desta primeira etapa da Rede.
Da teoria para a pista
Terminada a sessão de abertura, os participantes iniciaram os módulos teóricos da formação.
Ao longo da primeira parte dos trabalhos foram abordados temas como o Movimento Paralímpico Mundial, o Paralimpismo e o desporto para Pessoas com Deficiência em Portugal e em Moçambique, os programas de desenvolvimento desportivo do Comité Paralímpico de Portugal, comunicação e imagem e classificação desportiva, este módulo da responsabilidade do classificador internacional Nuno Lourenço.
A formação teórica deu depois lugar à componente prática.
Na pista de atletismo do Parque dos Continuadores, atletas e técnicos participaram em sessões dedicadas ao boccia e atletismo, sob orientação de Jorge Carvalho, coordenador do projeto, e de Inês Viegas, coordenadora da Direção Desportiva do CPP.
A combinação entre teoria e prática é um dos elementos centrais do modelo definido para este projeto de Mentoria, cuja formação abrange atletas, treinadores, classificadores desportivos, gestores de competições e dirigentes.
Com forte participação e interesse demonstrado pelos formandos ao longo das diferentes sessões, o primeiro dia traduziu no terreno o objetivo que orienta a passagem da Rede Lusófona de Mentoria Paralímpica por Moçambique: partilhar conhecimento, desenvolver competências locais e criar condições para que mais pessoas com deficiência encontrem no desporto uma oportunidade de participação, desenvolvimento e excelência.
Recorde-se que o projeto tem o apoio do Comité Paralímpico de Portugal ao abrigo do programa Sport for Mobility.
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